fevereiro 27, 2006
Quem não salta

A única utilidade possível para uma claque de futebol é servir de mau exemplo.
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05:37 PM
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On air

Gostava de saber por que é que não há mulheres a darem valentes guitarradas numa guitarra eléctrica imaginária quando ouvem uma música electrizante. Já com um homem, é limpinho. Atire-se para o ar o
Break My Body dos Pixies e é vê-los a arranhar umas cordas que não existem.
Com a bateria é a mesma coisa. É impossível encontrar uma mulher que se veja subitamente na posse de duas baquetas inexistentes a massacrar uma bateria imaginada na hora. Nem sequer com o auxílio de uma caneta. Mais uma vez, com os homens, a coisa muda de figura. Atirem um
Banquet dos Bloc Party para a mesa e é ver homens com uns quantos espasmos nos braços a derrubar copos e a bater nos amigos.
Instrumentos que não envolvem tanta coreografia também estão vedados à interpretação feminina. Não há mulher que consiga marcar um ritmozinho na viola baixo nem que solte uma melodia num teclado. Tudo isto é território masculino.
O que faz com que só os homens estejam predispostos a esta actividade mímica? Será sensibilidade artística? Virtuosismo motor?
Talvez seja simplesmente a sua conhecida falta de bom senso para evitar figuras tristes.
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05:13 PM
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Parabéns!

Onde o verbo é princípio, meio e fim. O primeiro de (deseja-se) muitos anos.
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01:46 AM
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Respeitável público...

O árbitro assistente fica com o ângulo de visão distorcido. Jorge Coroado, RTP 1
Na festa do futebol, os jograis são os comentadores.
Publicado por o.calvin em
01:36 AM
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Benfica - 1

Excepcionalmente, um post sobre futebol.
Publicado por o.calvin em
01:03 AM
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400 jogos

Que contes muitos, Vítor.
Publicado por o.calvin em
12:09 AM
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fevereiro 26, 2006
Terça-feira de Cinzas

Se há coisas para a qual os portugueses têm jeito, é para absorver as tradições dos outros. Veja-se o caso do Entrudo, acontecimento que é apenas lembrado em meia dúzia de lugarejos perdidos pelo país e pelo enigmático
E que aparece nos calendários no dia de Carnaval.
O conceito do Entrudo foi exportado para o Brasil e enquanto era devidamente aculturado pelos locais, nós fomos tratando de enterrar a nossa tradição. Passados uns anos, importamos o conceito do Carnaval e o resultado é a tristeza que se vê.
Ovar, Estarreja e Loulé são sinónimos de um grupo de moçoilas com mais boa vontade do que jeito inato a dançarem um samba que não sentem, encolhidas e arrepiadas de frio. Pelo meio, uns tractores puxam umas carripanas que puxam uns atrelados de personagens deprimidas que vão atirando umas serpentinas aos monos que assistem enfastiados do passeio à passagem do cortejo, com a prole devidamente instalada aos ombros. A inspiração das carripanas do cortejo é bastante plana. Fernando Rocha é indubitavelmente a inspiração estilística dos foliões.
De resto, a própria palavra «folião» dá vontade de rir, tal a miséria de todo este espectáculo em que está tudo com cara de enterro.
Finalmente, a cereja no topo do bolo. Os «reis» e «rainhas» dos Carnavais lusos. Actores de telenovelas. Há uns anos, os organizadores com mais posses lá conseguiam arrastar uma estrela brasileira para inundar as nossas ruas de tropical boa-disposição. Agora, os Morangos com Açúcar chegam para os gastos.
No meio disto disto tudo, um Zé Pereira tem muito mais piada, mesmo apesar de já vermos cabeçudos todos os dias.
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11:55 PM
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fevereiro 25, 2006
100% nostalgia

Quem é que se lembra dos tempos em que o número 100 era pouco maior do que o infinito? Para quem não se lembra, houve tempos assim.
A ideia de ter «100 contos» era sinónimo de ser rico e não precisar de fazer mais nada para o resto da vida.
«Andar a 100 à hora» era qualquer coisa de vertiginoso, só um pouco menos impressionante do que viajar à velocidade da luz.
Um miúdo com 100 escudos na mão pensava imediatamente na conversão do pecúlio em centenas de pastilhas elásticas (Pirata ou Gorila, conforme a geração).
Ter 100 berlindes (de vidro) era de uma opulência desmedida.
Hoje em dia o quantitativo de referência já não é o cem. É o sem.
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05:53 PM
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fevereiro 22, 2006
AgNO3 #26

Nova Iorque
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10:56 PM
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Barriga cheia

Mais uma noite na Luz, mais uma vitória. Desta vez ao ainda Campeão Europeu. Dado que isto é absolutamente natural, mais comentários são escusados acerca do jogo. Bom, talvez referir apenas que me dá um gozo enorme ver o Benfica ganhar a uma equipa inglesa cheia de espanhóis.
O que me traz aqui é a Catedral da Cerveja. O restaurante do Estádio da Luz é o concessionário natural dos espaços de comes e bebes no interior do Estádio da Luz e, fiquei hoje a saber, responsável por levar o conceito do coirato e da entremeada um degrau acima. Vocacionada para um público mais exigente, a Catedral da Cerveja põe à disposição do esfaimado adepto sanduíches
gourmet, com recheios tão tradicionais como os pedaços peludos do porco que se vendem nas rulotes, mas de carácter mais selecto, como sejam o Presunto, o Queijo da Serra e o Leitão Assado. E mais do que alimentar a rapaziada, a Catedral da Cerveja ainda nos brinda com um
recuerdo da noite. Ora vejam o rótulo da sandocha de leitão.

Sanduíche do Centenário, com indicação do jogo em que foi adquirida. O produto transborda tanta classe que a embalagem plástica mal a contém. A edição é limitada como convém em artigos seleccionados e só peca por não vir também numerada e com a zona de origem do porco. Fica para os quartos de final.
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02:06 AM
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fevereiro 21, 2006
O amor é lindo

Hoje pareceu-me ter ouvido alguém a assobiar o
Sitting On The Dock Of The Bay. O caso não teria nada de bizarro se o assobio não tivesse vindo das obras ao lado do meu emprego.
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11:32 AM
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Do fiambre e quejandos

Duas notas acerca da indústria de transformação da carne de porco:
-
Fiambre da Perna Extra é uma designação de gosto duvidoso.
-Não conheço ninguém que alguma vez tenha provado Filete Afiambrado. Mas lá que existe e está tabelado em tudo o que é café e pastelaria, lá isso está.
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10:12 AM
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São orgãos, Senhor Juíz

O Bloco de Esquerda vai propor alterações ao código de processo penal para que sejam os órgãos de comunicação social, e não os jornalistas, a ser punidos pela violação do segredo de justiça. (
TSF)
Repare-se que não é a abolição do segredo de justiça que o BE pretende. Isso não: seria imoral. A ideia é manter o segredo de justiça, mas permitir a sua violação.
Aliás, permitir, permitir: não é bem assim. Os orgãos de comunicação social seriam punidos. Uuuuh. Que medo. A PJ a encurralar milhares de exemplares do 24 Horas na gráfica. Interrogatórios duríssimos a folhas de jornal na esquadra dos Olivais. Justiça a sério era isto.
Já agora, se o Bloco estiver aberto a sugestões, proponho que continue a haver limites de velocidade mas que as multas por excesso de velocidade passem a ser passadas aos fabricantes dos automóveis apanhados em infracção. E se não for pedir muito, se eu me atrasar no pagamento dos juros do crédito à habitação, o Banco que leve os juros a pagamento ali à Fnac porque o dinheiro não dá para tudo.
Publicado por o.calvin em
12:04 AM
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fevereiro 20, 2006
Reciclagem

Desporto: FPF e IDP assinam protocolo para instalação de 101 mini-campos (
Público)
Finalmente vão dar uso ao Estádio do Algarve?
Publicado por o.calvin em
11:12 PM
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A Catrina livrou-se de boa

Se há criatura no Reino Animal (e mesmo no Vegetal) que combine estupidez e repelência em doses titânicas, é o pombo. Hitchcock só não deve ter usado pombos em vez de corvos em
Pássaros por serem criaturas demasiado burras.
Uma vez atropelei um. A 10 Km/h ninguém vai travar por causa de um pombo, não é? O bicho deixou-se esborrachar em câmara lenta. Foi patético. E não foi suicídio porque aquelas cabeças não chegam para atingir conceito tão elaborado.
Tudo é tenebroso no pombo. O aplique hediondo que trazem agarrado ao bico. Aquele movimento do pescoço enquanto andam. O
cu-crrruu emitido quase em surdina. As penas gordurosas. As cagadelas corrosivas que destroem passeios, estatuária e paciência. E com isto tudo, a fêmea simboliza a Paz. Não admira que ande tudo à tareia por todo o lado.
Se é espantoso haver quem alimente estes OVNIs, é positivamente colossal haver quem os crie. Dão-lhes de comer. Tratam deles. Até lhes dão nomes. O único ponto atenuante para os columbófilos é que pelo menos mantêm-nos presos, salvo quando os soltam para voltarem novamente para a gaiola, o que é visto como um assombroso prodígio da Natureza.
Caçadores, façam do vosso
desporto uma coisa útil. Deixem lá as perdizes, os coelhinhos e os próprios caçadores. Olhem só para os pombos.
Publicado por o.calvin em
11:04 PM
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Camarada Nel

Um mito que se desfaz hoje neste blog. Para quem julgava que Nel Monteiro era apenas sinónimo de
Há quanto tempo, não comi um bife destes / Um bife destes, à Portuguesa (Bife à Portuguesa) ou
Como é que eu hei de / Como é que eu hei de / Como é que eu hei de ir embora / Com as perninhas / Todas à mostra / E os marmelinhos, quase de fora (Azar na Praia), aqui fica um aspecto menos conhecido de Nel Monteiro. O Nel da intervenção social. O Nel que canta o clamor do povo. Nel, o José Mário Branco das romarias populares.
Meninos e meninas, cantem comigo
Justiça PopularSenhoras e meus Senhores
Apresento para vocês
Esta triste desgarrada
Do Operário Português
Desgraçado Operário
Que vida amargurada
Trabalhas de sol, a sol
Chegas a casa sem nada
Tens um salário de merda
Nunca mais chegas a rico
Vais sempre cagar à horta
Nem ganhas p´ra um penico
Nem ganhas p´ra um penico
Nem ganhas p´ra um penico
Tens um salário de merda
Nunca mais chegas a rico
Que grande puta de vida
Operário podes fazer
Com a merda do salário
Que te dão para viver
É duro ser Operário
Ter família p´ra sustentar
Às vezes te apetece
Por tudo de pernas pró ar
Refrão
Se aqueles que ganham mil
Passassem p´ra setecentos
Aqueles que ganham cem
Já podiam ganhar quatrocentos
Mas enquanto um Chefe ganhar
Assim tão alta mesada
O Chefe tem sempre tudo
O Operário nunca tem nada
Refrão
P´ra onde vão os milhões
Que a Portugal vêm parar
Que o Operário não vê
Mas que os tem que pagar
Enquanto os Operários
Melhor vida não tiverem
A merda que os ricos cagam
Que a limpem se quiserem
Tantos milhões que se gastam
Em Estádios e Auto-estradas
Com tantos salários de merda
E bocas esfomeadas
Que se lixe o trabalho
Que se danem os Patrões
Que vão trabalhar os Chefes
Porque esse ganham milhões
Refrão
Os Operários não querem
Ter os direitos iguais
Querem só ganhar metade
Dos que ganham mil, e mais
Não há nada que justifique
Estas diferenças brutais
É por isso que há pobres
Que vivem como animais
Publicado por o.calvin em
12:08 AM
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fevereiro 19, 2006
Mamma mia (let me go)

Mal acredito que levei Cecilia Bartoli ao Teatro São Carlos para assistir a uma récita de O Barbeiro de Sevilha. (
Expresso)
E eu mal acredito que isto dê uma reportagem. Quando li a chamada de atenção (
Cecilia Bartoli no São Carlos com o Expresso), pensei que os rapazes tinham arranjado maneira de pôr a senhora a cantar no São Carlos. Não. Levaram-na ao São Carlos mas para ver o Barbeiro de Sevilha. Uau. Que espectáculo. Isto é que é uma coisa com categoria. Imagino que o elenco do Teatro Nacional de São Carlos tenha ficado felicíssimo, mas a quem é que isto interessa?
Segundo o jornal,
a «mezzosoprano» acedeu ao desafio do EXPRESSO que a convidou insistentemente ao longo de três dias. Ou seja, o Expresso não se toca. A desgraçada da Cecilia só deve ter aceite por vergonha. Quem é que é consegue ser tão chato a ponto de insistir durante três dias nisto? Até onde estariam dispostos a ir? Já imagino a Cecilia, em desespero, antes de aceitar o convite.
Porca miseria! Questi rompe palle non mi lasciano in pace!Só é de esperar que outras iniciativas do mesmo calibre se sucedam a esta.
Expresso leva Ronaldinho Gaúcho a ver o Naval-Guimarães
Expresso com Michael Schumacher nos picanços da Ponte Vasco da Gama
Graças ao Expresso, Pina Bausch pôde apreciar o homem-estátua do RossioAfinal, nada a que o Expresso não nos tenha já habituado. Registe-se mesmo assim uma nota de inovação: A 1ª página
não traz a habitual referência ao BES com ar de publicidade gratuita, ficando esta remetida para a 1ª página do caderno de Economia.
Publicado por o.calvin em
11:12 PM
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fevereiro 16, 2006
Eles levam tudo

O Prémio Não-Me-Pagam-Para-Isto-Mas-Ainda-Não-Estou-Efectivo-Por-Isso-Vai-Ter-Que-Ser vai direitinho para 1ª página da edição de hoje do 24 Horas, esse baluarte do jornalismo criativo. Olhando para as fácies contrariadas estampadas na capa do jornal, não é difícil imaginar que os palitos mais pequenos saíram ao pessoal da primeira fila, o que inadvertidamente acaba por contribuir para o efeito dramático que se pretende criar à volta da «invasão» (
sic) do Ministério Público à redacção do 24 Horas. Os sortudos que ficaram em 2º plano puderam esconder-se atrás das mãos erguidas, para alívio dos seus cônjuges e restantes familiares.
Nota positiva ao 24 Horas pela originalidade, já que esta 1ª págiina não tem uma fotografia de jornalistas. Tem um cartoon de jornalistas.
Publicado por o.calvin em
11:10 AM
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fevereiro 15, 2006
A náusea - the day after

Conversa escutada hoje de manhã na rua, entre duas quase-adolescentes:
-
Não era o mesmo caso que ela. Eu precisava do Sandro porque ele me dava carinho e atenção.-
Mas tu não sabes como é o caso dela. Sabes o Rafa, o namorado dela, sabes onde mora? Na Portela. Ela só vê ele ao fim-de-semana.
Publicado por o.homem.estupendo em
09:46 AM
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fevereiro 14, 2006
A náusea

Não é o sentimento de paixão que move o Dia dos Namorados: é o sentimento de culpa.
Publicado por o.calvin em
12:00 AM
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fevereiro 13, 2006
Brothers in arms

Há adeptos de futebol que são desinteressados. Entregam-se à causa de peito aberto e vendas nos olhos e vivem intensamente o que se passa com o seu clube. Rejubilam, sofrem, mas sempre com a mesma intensidade.
O meu Benfiquismo, apesar de orgulhoso, é interesseiro. Quando o Benfica ganha, fico contente e junto-me à festa se houver motivo para isso. Quando o Benfica perde, ocupo 15 minutos a processar a informação e borrifo-me para o assunto logo a seguir. Na verdade, nem sequer percebo nada de futebol. Não sei que raio é um médio-ala defensivo nem em que posição o Leo joga melhor. Gosto de ver aquela malta a correr e a marcar golos e isso basta-me.
Naturalmente, gosto de ver jogos ao vivo, sensação que tem sido reforçada com as consecutivas vitórias a que assisto quando vou ao Estádio da Luz. Nos percursos de ida ou de volta em dia de jogo é natural que passe pelo café da esquina ou pela loja de conveniência da bomba de gasolina que fica na rua do lado, ostentando um cachecol do Benfica. Este pequeno gesto granjeou-me a imediata simpatia dos empregados destes estabelecimentos, na forma de tostas sumptuosamente servidas e advertências quanto à frescura dos produtos adquiridos. Senti-me como se pertencesse a uma Opus Lux, onde as portas se abrem à vista de um cachecol vermelho.
A situação não me desagradava, mas havia um preço a pagar. Não querendo frustrar os meus confrades quanto à minha devoção, finjo-me mesmo interessado nas conversas deles. Finjo que estou a par das novas contratações e disfarço o melhor que posso quando a conversa anda à volta dos adversários do Benfica nas seguintes dez jornadas, e até discuto tácticas (essencialmente anuindo ao interlocutor). Este embuste não é uma tarefa fácil mas tenho manobrado a situação com mestria.
Não vi o último Benfica-Sporting. Aliás, só soube o resultado no dia seguinte através do jornal, cinco minutos antes de entrar no café da esquina para pedir uma tosta. Não estava preparado. O empregado confrontou-me, mas o pesar e enfado era tanto que ele ia-me fornecendo as respostas.
-Você viu-me aquilo ontem?...
-Pcchhhhhhh... (esta interjeição funciona como um joker na dialéctica desportiva)
-Mas pronto, é verdade que eles mereciam...
-Pois mereciam.
-E nós jogámos muito mal.
-Uma miséria!
-(suspiro) O que é que vai ser?
Uma tosta bem recheada, como sempre.
Publicado por o.calvin em
09:41 PM
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Arquitectura Presidencial

Interiores minimalistas e um ar condicionado.
Publicado por o.calvin em
08:31 PM
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Chamar as coisas pelos nomes

As esplanadas são as ágoras modernas. Neste Domingo, ao mesmo tempo que contemplava o o Tejo, os oradores da mesa ao lado versavam à volta do complexo domíno da antroponímia. Fiquei a saber que Inês «é um nome genial» por ser «muito pequeno» e que quem se chama Margarida «sofre imenso» ao longo da vida por demorar muito tempo a assinar.
Eu tenho um nome para malta assim.
Publicado por o.calvin em
11:28 AM
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Bang! Bang!

Vice-presidente dos EUA dispara acidentalmente contra companheiro de caça (
Público)
Partilhasse Dick Cheney os seus momentos de lazer com George W. Bush e estaríamos agora a falar de fogo amigo.
Publicado por o.calvin em
10:16 AM
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fevereiro 11, 2006
Verdete

Ainda a propósito da recente despigmentação do BES, alguém sabe quais são as agências que estão de serviço esta noite?
Publicado por o.calvin em
04:34 PM
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Facto inegável #22

Numa festa em que se pede aos convidados que levem comida, todos pensam, enquanto se passeiam pelo supermercado, que «é melhor levar pão porque toda a gente se esquece sempre de levar pão», levando à concentração de hidratos de carbono suficientes para justificar uma missão humanitária em África.
Publicado por o.calvin em
04:27 PM
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fevereiro 10, 2006
Cartilha insidiosa #6

fixo crucifixo
perplexo
refluxo sexo
auxiliaste
apoplexia
trouxestes
existe exigir
exagerastesin
Cartilha Maternal, Bertrand (p. 48), João de Deus
Mais uma vez, João de Deus associa o acto sexual a uma sombra de pecado iminente, descrevendo um
fellatio consumado perante o olhar atónito de Cristo na cruz que acaba por castigar os envolvidos com um traumatismo neurológico que os afasta convenientemente do ímpio acto.
Publicado por o.calvin em
11:55 PM
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AgNO3 #25

Chiado, Lisboa
Publicado por o.calvin em
11:32 PM
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Boa ao quadrado

Restassem ainda dúvidas acerca das qualidades de Scarlett Johansson e a imagem que aqui exponho as faria desvanecer instantaneamente.
Scarlett Johansson - uma boa mulher e uma boa companhia.
Publicado por o.homem.estupendo em
09:40 AM
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Guia de conduta

Os grandes concertos ao vivo deveriam ter uma Brigada de Bom Ambiente (assim como as ruas deveriam ser patrulhadas por uma Brigada de Bom Gosto, ideia a que voltarei mais tarde). Esta Brigada seria responsável pela fiscalização dos espectadores na plateia no que concerne à manutenção de um bom ambiente ao nível do solo. Seria bom para o grupo que actua e consequentemente para o ambiente do concerto. Esta Brigada identificaria, entre outras, as seguintes situações:
-Malta de fato e gravata seria imediatamente espancada, não tanto para infligir danos corporais como para tornar a indumentária mais adequada às circunstâncias.
-Só seria permitido estar parado a ouvir músicas que pedem saltos e histeria no caso de se estar pedrado ou bêbedo. A conjugação dos estados de imobilidade e perfeita consciência seria penalizada, mais uma vez, com um leve espancamento. Suficientemente incisivo para deixar o espectador no chão a contorcer-se, dado que pelo menos assim sempre se mexia um bocadito.
-Os espectadores com mais de 1,70m (medida perfeitamente arbitrária) seriam convidados a ocupar a área mais afastada do palco por forma a permitir que as pessoas com mais densidade pudessem usufruir plenamente do espectáculo. O pessoal alto, lá por estar mais perto, vê exactamente a mesma área do palco do que se estiver no fundo do recinto, portanto não há que refilar. Os prevaricadores seriam repreendidos com tabefes de intensidade crescente até que se convencessem de que o recuo é melhor para todos.
Publicado por o.calvin em
12:52 AM
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A fórmula

O diário dinamarquês Jyllands- Posten mandou ir de férias o seu responsável pelas páginas culturais, na origem da publicação das polémicas caricaturas do profeta Maomé, noticia hoje o jornal Politiken no seu site Internet. (
Diário Digital)
É só isto? Basta mesmo isto? É que eu já fiz asneiras no meu emprego e de certeza que houve gente com vontade de me matar. Em vez de me mandarem de férias tive que trabalhar mais.
Deve ser por isso que toda a gente elogia a capacidade de organização nórdica. Há ali qualquer coisa que escapa ao nosso latinismo.
Publicado por o.calvin em
12:31 AM
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fevereiro 09, 2006
Cumprir o propósito

Tudo à tareia por causa de um mau cartoon.
Farto-me de rir com isto.
Publicado por o.calvin em
01:27 AM
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Facto inegável #21

A gripe de uns é o bilhete para o concerto dos Depeche Mode de outros.
Nota: Grande prenda pelo aniversário do blog. E até o Benfica ganhou!
Publicado por o.calvin em
12:48 AM
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fevereiro 08, 2006
Weeeeeeeeeeee!

Somos os maiores! Este blog faz 1-ano-1! Parabéns a nós! Em estatísticas, são 36.500 visitas a 768 posts comentados 6025 vezes. É um fartote!
É de facto incrível. Quero agradecer a todos os que visitaram e aos que continuam a visitar este blog. É um facto que me dá um gozo tremendo escrever os disparates que aqui publico, mas apenas porque alguém os lê.
Durante quanto tempo é que esta brincadeira vai durar mais? O que é que isso interessa quando há aqui bolo de coco para todos? Sirvam-se à vontade!

PS - E aqui fica um bolo de chocolate para os clientes difíceis.

Publicado por o.calvin em
12:09 AM
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fevereiro 07, 2006
Cinco manias, parte II

O virus alastrou-se!
1. Tenho a mania de fazer
zapping pelos canais musicais da TV Cabo, independentemente da qualidade dos videos/músicas que estão a passar.
2. Tenho a mania de acumular certa tralha inútil (tampas de canetas BIC, as tiras de plástico das tampas do iogurtes YOP e aparas de lápis, por exemplo), felizmente em quantidades não obsessivas (digo eu...).
3. Tenho a mania de fazer listas, especialmente de coisas que quero comprar - CDs, livros, DVDs, etc.
4. Tenho a mania (ou será vício?) de roer as unhas e as peles, infelizmente, às vezes, até sangrar.
5. Tenho a mania, ponto final.
Pronto. A ver vamos se o Hobbes e o Astronauta Spiff escapam à epidemia...
Publicado por o.homem.estupendo em
05:11 PM
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t-1

Parece mentira mas é verdade. Este blog faz um ano amanhã. Champanhe, discursos, abraços, confétis, serpentinas, agradecimentos, a apenas algumas horas de distância. Um pouco como a cerimónia dos Óscares mas sem os dourados pirosos. Apareçam e digam à vossa mãe que vão chegar tarde.
Publicado por o.calvin em
10:32 AM
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Cinco manias

Mais contagiosa do que qualquer variante o vírus das aves, já circula pelos blogs mais uma cadeia e eu fui contaminado pelo ON do
Prozacland. Vamos lá despachar isto rapidamente.
1. Tenho a mania de mexer o café com a colher, apesar de o beber sem açúcar.
2. Tenho a mania de comer uma laranja à sobremesa quando janto fora.
3. Tenho a mania de ver nem que sejam 5 minutos de televisão antes de me deitar, sejam que horas forem.
4. Tenho a mania de ficar a fazer ronha no duche.
5. Tenho a mania de molhar o pão no azeite.
Já está. Agora tenho que espalhar o vírus por mais 5 redactores. Calha a sorte à Ritz da
gaveta e às minhas fãs gritantes, as 4 Coisinhas do
As 4 Coisinhas. (digam-me lá se este 4-em-1 não foi genial?)
Publicado por o.calvin em
01:26 AM
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Vintage

O que vêm, caros leitores, não é um telemóvel. É
O telemóvel. Um pináculo tecnológico na história da comunicação móvel. O Nokia 3310 está para os telemóveis como o UMM está para os jipes.
Este telefone resiste às condições mais extremas de utilização. Aguenta quedas, pancadas, poças de água, areia, tudo. Fazer um telefonema é quase instantâneo. Gravar um número é uma limpeza. Escrever uma mensagem é quase como falar. E ainda por cima, ao premir uma tecla, o écran reage no momento; não temos que esperar aquela irritante fracção de segundo (tão típica nos modelos actuais) para ver o que acontece.
Além do que referi, para pouco mais serve, mas em todo o caso, estou a falar de um telefone e não de um quiosque multimedia.
Quem ainda usa este clássico merece todo o meu respeito e admiração.
(Sim, ainda tenho um)
Publicado por o.calvin em
12:00 AM
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fevereiro 05, 2006
Ups

Não sou um tipo organizado, admito. A minha arrumação segue o conhecido modelo das pilhas de tralha. Geralmente consigo orientar-me mas vezes há em que a coisa corre mal.
Há vários meses comprei dois bilhetes para o concerto dos Depeche Mode no Pavilhão Atlântico, um para mim e outro para o meu amigo Pedro. Eu queria muito ir. O meu amigo Pedro não pensava noutra coisa.
Há alguns dias achei que era melhor confirmar que sabia onde estavam os bilhetes. O local típico para bilhetes comprados com muita antecipação é a gaveta dos medicamentos. Nada. O pânico instalou-se. Procurei nos segundos lugares mais prováveis, nos terceiros lugares mais prováveis, nos lugares improváveis e nos lugares absurdos (da despensa à mesa de cabeceira). Nada de nada.
Há coisas que não se fazem aos amigos. Perder bilhetes de concertos é uma delas. Passei alguns dias nesta busca infrutífera até admitir que a localização mais provável dos bilhetes deverá ser o centro de reciclagem de papel mais próximo. O passo seguinte era tenebroso: contar ao Pedro.
Assim que o encontrei, expliquei-lhe a situação e frisei que não estava a brincar. Semicerrei os olhos à espera de um justificável soco no meio da cara. Nada. Já não sei que palavras trocámos a seguir, mas sei que se afastou. Estava capaz de me matar, mas preferiu matar o copo de whisky que trazia na mão. Achei que era uma questão de tempo até entregar a alma ao Criador e ali fiquei à espera do castigo. É certo que os Depeche Mode voltam cá em Junho, mas para os ver, o Pedro vai ser forçado a ir ao estádio do Sporting, e isso não se faz a ninguém.
Alguns minutos depois o Pedro voltou. «Quanto àquela cena de há bocado?...». Pronto, é agora, pensei eu. Adeus mundo cruel, adeus mãe, adeus pai, adoro-te Bonnie, um abraço para os amigos e venha de lá o espancamento. «No hard feelings.» e afastou-se novamente. Olhei para o chão e não me vi estendido a escorrer sangue, logo, não se tratava de uma experiência fora do corpo. Belisquei-me e doeu. A uns metros, o Pedro vira-se e diz «Ah, e fazes um post sobre isto!»
É bom ter amigos assim, mesmo que eles não possam dizer o mesmo.
Publicado por o.calvin em
10:48 PM
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Não tem graça

Consulado da Dinamarca em Beirute foi saqueado e queimado - A ira muçulmana por causa das caricaturas de Maomé alastrou ao Líbano. Há 28 feridos e grandes prejuízos materiais. (
SIC)
Quando apareceu o Dragonball, havia malta que dizia que as criancinhas iam olhar para aquilo e desatar a trucidar toda a gente. Mal sabiam o poder do humor dinamarquês.
Publicado por o.calvin em
09:49 PM
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fevereiro 03, 2006
Equívocos

Quando era miúdo, imaginava a Jihad Islâmica como uma forma terrível de geada que só havia lá para o Islão (fosse lá onde fosse isso) e que arrasava tudo à sua passagem.
Publicado por o.calvin em
12:28 AM
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fevereiro 02, 2006
Bom ambiente

Claudia, Milo Manara
Ambiente assinala Dia Mundial das Zonas Húmidas (
Público)
Que se celebre. Nada melhor para um bom ambiente do que zonas húmidas.
As festividades prosseguem depois com a semana Europeia das Zonas Peludas, o Dia Internacional das Zonas Erectas e o Dia Mundial das Áreas Túrgidas.
Publicado por o.calvin em
11:48 PM
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fevereiro 01, 2006
Cartilha insidiosa #5

fique fiquei
toque toquei
ataquei
ataque piquei
duque leque
baque jaqueta
aplaque
apliquei aquele
aquela
aqui aquilo
quieta quieto
---
qual
qualidadein
Cartilha Maternal, Bertrand (pp. 26, 27), João de Deus
Mais uma vez, João de Deus navega de forma sublime pelo universo erótico.
Desta feita, somos transportados para um jogo erótico entre um elemento da nobreza efeminado e um toureiro agressivo. Uma das personagens dita a sua vontade e a outra, inicialmente submissa, assume logo depois um papel mais activo e interveniente.
Somos levados nesta viagem vertiginosa onde tudo acontece, onde tudo se faz, até ao seu pináculo, após o qual se sucedem, tanto para as personagens como para o leitor, dois momentos distintos mas que se interligam. Primeiro, uma pausa para respirar, um momento de descanso. A seguir e finalizando, uma pergunta que transporta consigo uma tal carga moral que nos força a remeter a narrativa prévia para um contexto de mácula, de irregularidade, de pecado.
Publicado por o.calvin em
11:17 PM
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Susto

Ian Brown recebe Godlike Genius Award (
Público)
Por momentos, pensei que estava tudo a ficar doido. Depois acalmei-me e lá percebi que não é
Dan; é
Ian.
Publicado por o.calvin em
08:17 PM
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